A origem do conceito de agendamento está no pensamento de Walter
Lippman. Jornalista norte-americano de grande atuação em pesquisas de
opinião nos Estados Unidos da primeira metade do século passado, Lippman
constituiu uma das mais respeitadas obras de estudos da cultura de
massa e opinião pública da época, com ressonância até hoje. Para ele, " a
notícia não é um espelho das condições sociais, mas um relato de um
aspecto que se impôs".
É seguindo esta linha de pensamento , que o autor
aproxima os conceitos de notícia e opinião pública.
No entanto, a formulação clássica do conceito surge nos Estados Unidos
no final da década de sessenta com Maxwell E. McCombs e Donald Shaw.
A Teoria do Agendamento pressupõe que as notícias são como são porque os
veículos de comunicação nos dizem em que pensar, como pensar e o que
pensar sobre os fatos noticiados.
A teoria do agendamento defende a ideia de que os consumidores de
notícias tendem a considerar mais importantes os assuntos veiculados na
imprensa, sugerindo que os meios de comunicação agendam nossas
conversas. Ou seja, a mídia nos diz sobre o que falar e pauta nossos
relacionamentos.
A hipótese do agenda setting não defende que a imprensa pretende
persuadir. A influência da mídia nas conversas dos cidadãos advém da
dinâmica organizacional das empresas de comunicação, com sua cultura
própria e critérios de noticiabilidade. Nas palavras de Shaw, citado por
Wolf, "as pessoas têm tendência para incluir ou excluir de seus
próprios conhecimentos aquilo que os mass media incluem ou excluem do
seu próprio conteúdo". É disso que se trata o agendamento.
Na maioria dos casos, estudos baseados nessa teoria referêm-se a
confluência entre a agenda midiática e agenda pública. Entretanto, seus
objetivos não são verificar mudanças de voto ou de atitude, mas sim a
influência da mídia na opinião dos cidadãos sobre que assuntos devem ser
prioritariamente abordados pelos políticos. No Rio de Janeiro, por
exemplo, o assunto violência tem espaço diário nos jornais. Adivinhem
que tema os políticos mais falam?
A ação da mídia no conjunto de conhecimentos sobre a realidade social
forma a cultura e age sobre ela. Para Noelle Neumann, citada por Wolf,
essa ação tem três características básicas:
Acumulação: é a capacidade da mídia para criar e manter relevância de um
tema.Consonância: as semelhanças nos processos produtivos de informação
tendem a ser mais significativas do que as diferenças.Onipresença: o
fato da mídia estar em todos os lugares com o consentimento do público,
que conhece sua influência.
Concluindo, a teoria do agendamento nos diz, que as notícias pautam
nosso dia a dia, nossas conversas e isso acontece com o poder da mídia
de selecionar o mais importante e nos fazer enchegar que aquilo é sim o
mais importante. As vezes o poder convencimento da mídia parece
manipulação, mas não é, a mídia simplesmente expõe as notícias que
julgam importante e o público, tradicionalmente, acredita sem duvidar e
repassa aquele assunto para frente, sem questionar.
quarta-feira, 7 de junho de 2017
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